“-A vida continua realmente por todo o sempre, não continua?
-Com certeza que sim.
-Não tem fim?
-Não tem fim.
-A reencarnação é um facto.
-É. Podem voltar à forma mortal – ou seja, uma forma física que pode “morrer” – sempre e quando quiserem.
-Nós é que decidimos quando queremos voltar?
-“Se” e “quando” – Sim.
-Também decidimos quando queremos partir? Escolhemos quando queremos morrer?
-Nenhuma experiência recai sobre nenhuma alma a sua vontade. Isso, por definição, não é possível, já que a alma cria cada experiência. A alma nada quer. A alma tem tudo. Toda a sabedoria, todo o conhecimento, todo o poder, toda a glória. A alma é a parte de Vós que nunca dorme; nunca esquece.
A alma deseja que o corpo morra? Não. O desejo da alma é que nunca morram. No entanto, a alma deixa o corpo – muda de forma, deixando para trás a maior parte da matéria corporal – de um momento para o outro, quando deixa de ver utilidade em permanecer sob essa forma.
-Se o desejo da alma é que nunca morramos, porque morremos?
-Não morrem. Apenas mudam de forma.
-Se é desejo da alma que nunca o façamos, porque o fazemos?
-Não é o desejo da alma!
És um “mutante de forma”!
Quando deixa de haver utilidade em permanecer sob determinada forma, a alma muda de forma – propositada, voluntária e alegremente – e avança na Roda Cósmica.
-Alegremente?
-Com grande alegria.
-Nenhuma alma morre com pesar?
-Nenhuma alma morre – nunca.
-Quero eu dizer se nenhuma alma lamenta que a actual forma física mude; que esteja prestes a “morrer”?
-O corpo nunca “morre”, mas limita-se a mudar de forma com a alma. Mas Eu compreendo o que queres dizer, portanto para já vou utilizar o vocabulário que estabeleceste.
Se tiveres um entendimento preciso do que queres criar em relação ao que escolheste chamar a outra vida, ou se tens um conjunto de convicções claras que sustentam uma experiência após a morte de reunião com Deus, então não, a alma nunca, jamais, lamentará aquilo a que chamas morte.
A morte nesse caso é um momento glorioso; uma experiência maravilhosa. A alma pode então voltar à sua forma natural, ao seu estado normal. Há uma leveza incrível; uma sensação de liberdade total; a sensação de não haver limites. E a consequência da Unidade, simultaneamente extática e sublime.
Não é possível à alma lamentar uma tal mudança.
-Estás então a dizer que a morte é uma experiência feliz?
-Para a alma que quer que assim seja, sim, sempre.
-Bem, se a alma quer assim tanto estar fora do corpo, porque não o deixa, simplesmente? Porque fica a pairar em volta?
-Eu não disse que a alma “quer estar fora do corpo”. Disse que a alma sente alegria quando está fora. São duas coisas diferentes.
Podes sentir-te feliz a fazer uma coisa, e sentires-te feliz a fazer outra. O facto de sentires alegria ao fazer a segunda não significa que te sentisses infeliz a fazer a primeira.
A alma não se sente infeliz quando está com o corpo. Muito pelo contrário, agrada à alma ser tu na tua forma presente.
Isso não exclui a possibilidade de a alma ficar igualmente satisfeita ao desligar-se dela.
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