O povo de Santa Comba Dão quer o museu. Se vai ter valor científico ou não, isso estaremos por cá para avaliar. Mas não vai certamente ser o grupo de provocadores do movimento anti fascista que o vai fazer.
O grande problema é que o sistema tem medo de Salazar, e como tal não quer deixar fazer o museu. Claro que um referendo nacional sobre o assunto está fora de questão pelos custos, mas porque poderia certamente trazer muitos amargos de boca a alguns.
Depois de morto, o Dr. Salazar suscita novas paixões assolapadas, bem como ódios incendiários por parte de interpostos rivais, quer-se dizer por parte dos apoiantes de outras personagens também elas já falecidas. Já não bastava a polémica acerca do museu em Santa Comba Dão, que, a propósito se refira, será dedicado ao Estado Novo e não unicamente à figura do venerando mestre de finanças, eis senão quando o Dr. Salazar ganha um concurso por votação popular e logo para o melhor português de sempre. Não contemos com o histerismo da esquerda, acerca da “promoção do fascismo”, do “branqueamento do regime”, da “farsa da votação”. Imagina-se uma carrada de salazaristas já gotosos ligados a centrais telefónicas a ligar noite e dia para votar, o que do outro lado com o Dr. Álvaro Cunhal não aconteceu de certeza, que comunista honrado só vota uma vez. Não contando com nada disso dizíamos nós, um facto se evidencia: Salazar era o único candidato anti-sistema. Todos os outros não incomodavam ninguém, pelo menos nas facetas em que foram apresentados. Já há sociólogos que falam em voto de protesto. De facto para a generalidade da classe politica Salazar é um corpo estranho. O homem que disse dever à Providência a graça de ser pobre, pobre morreu e sem nunca roubar ninguém, ou entrar em compadrios ou corrupções, em suma era uma raridade - um homem honesto - um incorruptível que deixou obra feita. Deixou também um país com 2 milhões e 200 mil quilómetros quadrados e cerca de 28 milhões de habitantes. Depois do 25 de Abril, os nossos governantes esmeraram-se nas suas habituais contas de sumir e estamos hoje com 10 milhões de indígenas e 107 mil quilómetros quadrados, o mesmo afã aplicam à subtracção do erário público para fins muito próprios… O medo que os invade, não é o do homem, a não ser que avisadamente pensem na hipótese da clonagem. É algo muito mais terrível, é a memória. E se um dia destes o povo se lembra e põe outro incorruptível no poder? É urgente que as gerações não cresçam sobre a mentira; se para si a verdade histórica é importante; se o nome dos nossos maiores tem alguma importância histórica; se a justiça é elemento importante e determinante; se a verdade deve fazer parte de um Estado de Direito. O Museu do Estado Novo é pois um imperativo histórico bem como um imperativo democrático, uma vez que a maioria dos habitantes da região desejam o museu e o povo é quem mais ordena. Apagar a historia só vai por uma mancha no tão já sujo “tecido” democrático. Reconstrua-se a casa e faça-se o museu com os objectos pessoais sem preconceitos nem demagogias, depois que cada um julgue por si mesmo, em liberdade e em consciência. Como já dissemos o Dr. Salazar não vai aparecer numa manhã de nevoeiro, nem pensamos que o local se vá converter num sito de culto. Defendemos é que ele se transforme num local de estudo, pois para o bem e para o mal Salazar é uma figura incontornável da história portuguesa.
Oct 23, 2008
9:41 AM