De facto é íngreme, vou sempre a subir a subir...
“Porque é que não vamos hoje á praia” (Marion), não hoje não, tenho de subir, continuar a subir, subo, subo, subo, estou quase quando, “hoje podias dormir até tarde” (Sara), não hoje não, está um sol quente vou mais depressa assim vou mais depressa se olhar em frente “pára ali, ali ao pé das laranjeiras em flor” (Maryna) eu não paro, hoje não, tenho de subir, já vejo o jardim rochoso se não subir não o vejo, subo.
“Pára no semáforo está vermelho para nós que caminhamos” (Vera), não posso parar, tenho de subir, se ao menos os carros parassem no tempo eu passava e nunca parava de subir.
Ontem subi, subi, subi mesmo nas descidas, vou falar de ontem, ontem foi diferente de hoje ontem subi mais longe, quero voltar a subir assim amanha, subir, subir, descer é negativo, é mais fácil sim mas é negativo, subir cansa mas é positivo, percebes? Tenho de subir, quero e escolho sempre um caminho que tenha uma subida, ontem enquanto subia, subia, havia muito vento quanto mais subia mais o vento batia, subia, subia e os cabelos negros desgrenhados tapavam os olhos atentos “e se subisses de olhos fechados” (João), não, não ontem não, ontem os olhos estavam abertos, não gosto de subir, subir no escuro, sozinha não nunca subo no escuro. Ontem havia barulho enquanto subia toda a gente andava irritada com algo mas não ouvia, não fecho os olhos mas os ouvidos, só oiço música enquanto subo a música que dá coragem para continuar a subir, subir.
De vez em quando subo pela ponte grandiosa do descobridor, do outro lado querem sempre descer, mas eu mantenho os olhos no horizonte do Tejo, penso “depois vem uma subida, não chores ainda” (mãe) e subo e subirei, subo, subo, sempre sem dar importância á descida “aquela descida é perigosa” (motorista) não, não qual descida? Eu não desço vou sempre a subir, a subir, subo no mar, subo nas árvores surrealistas do Alentejo enquanto espero subir até casa, vou sempre a subir pela beira litoral.
Quando subo vejo o sol e se ele desce traiçoeiramente olho para a noite que sobe de certeza comigo, subo também paralelos desencontrados trilhos outrora trilhados não gosto de subir esses já foram subidos por alguém ou por muitos alguns, não gosto “vamos a um sítio diferente hoje” (Maryna) houve vezes que fomos, porque era a subir ou para subir, é complicado subo hoje subi ontem subirei amanha e se me faltar o chão, o caminho, não faz mal desde que suba, subo, subo, por qualquer lado, subo com os amigos, subo pelo tempo, subo para chegar as duas casas no caminho que mais anseio, subo para ir buscar comida, subo para subir naquele futuro, subo para me lembrar das descidas que não me quero lembrar do passado e subo porque subir a subir é sempre melhor para o caminho não ser uma descida fácil. “Sobes todos os dias pelo mesmo caminho?” (Vera) não, não, todos os dias subo de forma diferente, todos os dias vejo que a subida esta diferente que quem sobe também.
Subi, subi em milhões de subidas em milhões de sítios diferentes mas fui sempre a subir mesmo quando os pés não tocaram no chão eu subi, mesmo chovia eu subia, subia, subia, SUBI, SUBI, VENS COMIGO VER O QUE VI?
Andreia L.Monteiro
estás melhor? ._.