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Já fiz cócegas a amigos só para que parassem de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, já tentei fazer um balão com uma pastilha que acabou por se colar na minha cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo. Hoje, continuo sem saber fazer balões e a falar com o espelho!
Já quis ser bombeiro, astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; Já me escondi atrás de uma cortina e deixei os pés de fora. Hoje, sou Advogado.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, segui o caminho errado e ainda continuo a caminhar pelo desconhecido. Hoje, estou sozinho.
Já rapei o fundo da panela onde se fez o arroz doce, já me cortei ao fazer a barba à pressa e chorei ao ouvir determinada música. Hoje, não me apetece fazer a barba e engordei uns quilos.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer. Hoje, não tento porque não sou capaz.
Já subi até ao telhado de um Amigo para agarrar as estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí por uma escada. Hoje, continuo amigo dele e caia nas escadas na mesma.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola, numa carteira e numa porta e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; Já fugi de minha casa para sempre e voltei logo a seguir. Hoje, tenho vontade de fazer o mesmo, mas não devo.
Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas a sentir a falta de uma única. Hoje, continuo a fazer o mesmo.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosa ao laranja, já mergulhei na piscina e não quis sair mais, já bebi whisky até sentir os lábios dormentes, já vi a cidade do céu e nem mesmo assim encontrei o meu lugar. Hoje, continuo à procura.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial. Hoje, agradeço por ter essa sorte.
Já acordei no meio da noite e senti medo de me levantar. Hoje, ainda me acontece o mesmo.
Já corri descalço pela rua, já dancei à chuva, já gritei de felicidade, roubei rosas num jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um 'para sempre' pela metade. Hoje, gostava de fazer o mesmo outra vez.
Já me deitei na relva e na areia até de madrugada e vi o sol substituir a lua; já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente. Hoje, gostava de fazer o mesmo outra vez.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Hoje, sou o fruto disso. Não o proibido.
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