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Correr desaustinadamente atrás de pombos na vã tentativa de conseguir entalá-los na parte de baixo de um carro.
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isso depende se a "Escrava Isaura" conta ou não.
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"Na Roça Com Os Tachos"
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muitos, aliás, uma parteleira deles.
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Uma coisa que eu tenho vindo a reparar desde há uns tempos para cá (sensivelmente 18 anos) é a forma ridícula como a maioria dos portugueses gosta de meter conversa com as senhoras das caixas dos supermercados, trocando as suas vidas naquele curto espaço de tempo, que vai desde a passagem do pacote de Ruffles Presunto na luzinha vermelha, até à entrega do troco (normalmente com uma ou duas moedinhas de 1 cêntimo) acompanhado de um discreto piscar de olho, como quem diz "Ah e tal, gostei de te conhecer, temos de sair mais vezes.." Ora vamos lá ver, isto é no mínimo estúpido por três razões:
- primeira: é no mínimo estúpido - segunda: não interessa a ninguém porque raio é que a "minha Débora" (da senhora da caixa) se licensiou em Filosofia e está agora desempregada ou a vender papel reciclado, que fabrica clandestinamente na marquise lá de casa;
- terceira: demora tempo e faz as pessoas da fila pensarem nas coisas inúteis que se esqueceram de trazer e que, acto seguinte, vão buscar: uma caixa de línguas de gato; uma Ana+Atrevida para saber o fim da telenovela e discutir "o Amor" com as raparigas do cabeleireiro; uma t-shirt do spider-man, que se encontra na secção dos salgados, para dar ao mais "piqueno"; 75 latas de conserva, empilhadas em torres de 15; um pacote de guardanapos de papel; copos de plástico; um micro-ondas; grades de Actimel, para manter a família bem protegida; entre outras coisas...
É claro que estas "conversas de caixa de supermercado" ganham maior projecção em superfícies comerciais de menor dimensão, onde muitas vezes, no caso das mulheres, a cliente já conhece a dita senhora da caixa pois diz que o seu irmão cumpriu o serviço militar com o marido da outra e ambas já se tinham encontrado na plateia do programa televisivo "As Tardes de Júlia", rubrica O Meu Marido É Um Psicopata, Os Meus 11 Filhos Andam Metidos Na Droga E Eu Não Tenho Dinheiro Para Pintar As Unhas Todas Dos Pés E Mesmo Assim Uso Chinelos.
Por outro lado, é sempre bom notar a forma como somos permanentemente assediados pela senhora da caixa, quando, ao mostramo-nos cordiais e bem dispostos, somos poupados da laboriosa tarefa de colocar os produtos adquiridos nos sacos de plástico e somos também postos ao corrente do frágil estado de saúde da nossa interlocutora, do grave problema intestinal de que padece há precisamente 7 anos e 3 meses e dos espasmos epilécticos que por vezes tem, desde que abortou pela décima vez em 1976, num veterinário de Évora.
Isto tudo enquanto o pacote de Ruffles Presunto ainda não foi devidamente acondicionado no saco de plástico (destinado apenas a isso e a mais um pacote de pastilhas).
Outras vezes, temos também a oportunidade de conhecer algumas técnicas de como levar o pão quentinho, acabadinho de sair, desde o supermercado até a nossa casa: com o saco de plástico não totalmente fechado, mas aconchegado junto ao corpo. Ou como curar as constipações de Outubro: colocar meio limão num paninho de cozinha, dobrar o paninho sobre o limão e colocá-lo em banho-maria durante 15 minutos, passado esse tempo, colocar o paninho sobre os pés, a testa ou a barriga, conforme as previsões astrológicas do Jornal Metro, rezar 5 Pais Nossos com o nariz virado para cima e 6 Avés Maria em posição descontraída.
As Ruffles e as pastilhas já estão no saco. Agora só falta pagar.
- Dois euros e vinte e oito cêntimos.. - diz a simpática senhora da caixa com aquele ar de quem já comia qualquer coisinha, mas vai ter de estar ali sentada mais 6 horas até poder levar qualquer coisa ao bucho. Passo-lhe uma nota de cinco e é então que chega a pergunta que vocês por esta altura já deviam estar ansiosos por ouvir: "Não me arranja os vinte e oito cêntimos?" Aceno-lhe negativamente e lá recebo umas tantas moedinhas (entre elas duas de 1 cêntimo), juntamente com um papel de 45 cm, que não serve para nada a não ser para ajudar a segurar as moedas pequenas, no acto da passagem de mão em mão.
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bjinho *