O dia 15 de Setembro
Há dias que passam no calendário, e que ficam gravados na memória e no coração de quem os viveu. Gravam-se os dias divertidos, os dias loucos, os aniversários e as passagens de ano. Gravam-se dias de Verão, gravam-se os Natais e as mensagens. Gravam-se os dias de paixão, grava-se o dia em que se começou uma relação, e encrava-se no coração o dia em que esta termina. Gravam-se vergonhas, gravam-se momentos mágicos. Por todo o tempo que vivemos e por todo o tempo que ainda iremos viver gravamos inúmeras coisas, várias recordações, doces ou infelizes, e gravamos diversas datas.
Porventura, nem sempre gravamos o dia 15 de Setembro. Esquece-se que foi nesse dia, há muitos anos atrás, que conhecemos grande parte daqueles que agora, consideramos os nossos melhores amigos. Ignora-se que nesse dia conhecemos pessoas que passamos a amar, conhecemos amigos que nos fazem crescer e aprender cada vez mais. Conhecemos pessoas pelas quais vale a pena estar, conhecemos mesmo amores e desamores. Neste dia vemos inúmeras caras, desconhecidas ou familiares, neste dia contamos todo a quem esteve menos presente. E é a partir deste dia que se começa a contar os dias para o próximo Verão.
Acho que e talvez não me engane, quando digo que parte das pessoas que agora estão contigo, aquelas que amas e a quem chamas amigas, as conheceste neste dia. Também não me engano que quando pensando neste dia te lembres de amigos, de promessas e evidentemente, de desilusões. Porque neste dia inicia-se uma forte amizade ou é o princípio do fim para uma outra.
Mas a culpa não é a da data, os responsáveis encontram-se em cada um de nós, só em nós próprios reside o poder de iniciar uma amizade ou a deixar desvanecer. O dia 15 não se trata apenas do começo de aulas, trata-se do principio da uma nova batalha para manter as amizades que sim valem a pena lutar, que sim valem a pena levantar e sair para ver os minutos a passar com eles, que sim por elas vale a pena chorar, rir, desabafar. O dia 15 é um dia de mudança.
A mudança começou no dia 15 de Setembro de 2007, alguma coisa me dizia que algo iria acontecer, ainda não sabia o que seria. Hoje, um ano mais tarde, confesso que aconteceram coisas que nunca pensei serem possíveis. Se hoje me dissessem que tais coisas aconteceriam, diria que tudo não passava de mentiras e falsidades. Contudo, a verdade é que nunca sabemos o que o futuro nos reserva. E eu não sabia que num ano tanta coisa poderia mudar.
Num simples ano relações terminaram, enquanto novas se iniciaram. Uma amizade foi construída, enquanto outras desvanecidas. Houve mentiras, enganos, traições, discussões, porventura houve também honestidade, compreensão, apoio e carinho. Aprende-se que por mais discussão que tenha havido, por mais magoados que possamos estar, não esquecemos simplesmente alguém. Porque haverá sempre momentos passados que permanecem, haverá sempre expressões que se afixam a uma certa pessoa. Todavia, há coisas que não suportamos, como seres humanos que somos existem traições impossíveis de perdoar.
Posso dizer que aprendi que as pessoas são capazes de tudo, que as pessoas viram as costas aos amigos por motivos peculiares. Aprendi que as pessoas mudam da noite para o dia e dizem coisas que, por vezes, nem o arrependimento as pode salvar. Mas também aprendi algo bom, aprendi que os verdadeiros amigos estão… é esta é a melhor expressão… estão nos “momentos de vida ou morte”. Por mais difícil que seja são estes que realmente merecem e que realmente permanecem.
Há medida que outro dia 15 se aproxima, não sei o que irá mudar, apenas sei que tenho a meu lado um dos melhores grupos do mundo, apenas sei que guardo comigo pessoas que nunca irei conseguir esquecer. Porque por muita confusão que tenha existido, e mesmo que agora não exista contacto, existirão sempre lembranças. Pois todos erramos, todos dizemos o que queremos dizer, todos queremos perdoar e ser perdoados, por mais difícil que seja. Todos queremos ser amados e queremos amar. Todos sentimos arrependimento, todos sentimos raiva ou ternura. Já senti isso tudo, e não me arrependo de uma simples coisa: de ter conhecido os amigos que conheci. Porque, independentemente de tudo o que se passou e de tudo o que se passará…aprendi coisas impossíveis de explicar e de descrever…pois os amigos transmitem-nos algo simples e único. E isso nunca muda…